Fala Miga! – Talita Farias

Hoje vamos conhecer mais uma inspiração aqui no Desventuras. A Talita é de Vitória da Conquista – Ba, e está em transição. Ela vai nos contar um pouco sobre a história do seu cabelo e como a transição capilar tem influenciado positivamente na sua vida.

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Vou contar um pouco da história do meu cabelo, começando pela infância. Essa sou eu aos cinco anos de idade. Que cabelo mais lindo! Cachos naturais bonitos e muito volumosos! Nessa fase pra minha mãe era muito difícil de cuidar, pentear pra ir pra escola e pra igreja. Hoje eu olho e acho lindo, mas só minha mãe sabe o sufoco que era pra deixar assim, arrumadinho. Na época, volume era feio, o cabelo tinha que ser “domado”, como uma fera.

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Com o passar do tempo, passei eu mesma a cuidar dos meus cabelos. O volume realmente incomodava e dava trabalho de deixar arrumado. Além disso, o cabelo bonito naqueles dias era liso. Revistas, novelas, filmes, desenhos, todas as mulheres e meninas tinham cabelos lisos. Só assim pra ficar bonita. Então, vamos alisar!

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Primeira vez que fiz alisamento (relaxamento pra crianças) e escova no cabelo aos dez anos de idade.

Lembro da minha alegria de estar com os cabelos lisos, a raiz baixinha e por conta da escova o cabelo cresceu vários centímetros. Achei o máximo! E esse foi o começo de uma era… a partir daí me tornei “dependente química”. A cada três meses fazia relaxamento na raiz. Passei a usar relaxamento de amônia e fui fiel a ele por muitos anos. Isso fez com que o meu cabelo não tivesse mais cachos. Assim ele não era nem liso e nem cacheado.

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Claro que a franja pranchada não podia faltar! Clássico de todas das meninas na minha adolescência. “Fritei” os fios durante todos esses anos… era assim que achava que estava bonito… Depois que entrei na faculdade resolvi mudar. Queria ter cabelo curto. Aí comecei a usar a progressiva, o maldito pra umas e bendito pra outras, formol. A foto a seguir é da primeira vez que fiz progressiva.

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Adorei poder usar o cabelo curto, amo até hoje. Achava que com a progressiva poderia lavar os cabelos e deixá-los secar que ficaria ótimo. Só que não. Qualquer uma das químicas que já usei tiveram efeitos lindos nas primeiras semanas, mas nada duradouros. Tenho um crescimento capilar muito acelerado, meu cabelo cresce super rápido, fator agravante para a época em que um dedo de raiz cacheada era o Apocalipse, e ótimo pra hoje. E após amônias, guanidinas, progressivas, tinturas, luzes, tonalizantes, CORTES QUÍMICOS… e uma vida de processos químicos, fiz o último alisamento da minha vida, na minha formatura em agosto de 2015. A partir daí resolvi comigo que queria ser como Deus me criou, natural, deixar meu cabelo crescer como ele realmente é. E então entrei em transição capilar. Hoje já (ou ainda) são nove meses nesse processo, que tem sido bastante lento e difícil. Estou sobrevivendo às duas texturas (raiz cacheada/crespa e pontas “lisas”) usando texturização nos finais de semana e preso ou com twists durante a semana.

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Aqui acima é o meu cabelo hoje, com as duas texturas e como faço a texturização e abaixo o resultado. Tá sempre bonito? Não. Mas entendo que estou no meio de um processo com início, meio e fim. E ainda não estou perto do fim. Não tenho coragem agora de fazer o BC (cortar toda a parte lisa). Qualquer dia desses dou um surto e faço. Estou encorajando a mim mesma pra cortar quando completar um ano sem química… Detalhe maior, a primeira química veio antes da puberdade, então não conheço meu cabelo natural. Espero que essa história traga inspiração para outras pessoas entrarem nesse processo também. Acredito que valerá muito a pena. Beijos. tali

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 Quer contar a sua história? Mande um email para contato@desventurasdeumacacheada.com.br, contando como foi passar pela transição capilar, junto com 3 fotos do antes e depois (com boa resolução e sem edição).

About the author

Ster Nascimento, 22 anos. Gosto do meu cabelo cacheado, do meu descontrole sem pé nem cabeça, do meu 8 ou 80 e da minha zarreza perceptível. As vezes sou um amor de pessoa.

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