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Alcione Silva – Fala Miga!

Oi gente, tudo bem? Hoje vamos conhecer a história emocionante da Alcione Silva, que enfrentou muitos preconceitos por causa do seu cabelo e também da sua cor. Mas apesar de tudo, escolheu assumir sua identidade e aceitar suas raízes.

Ela é um exemplo de força de vontade e resistência. Uma inspiração para todos aqueles que assim como ela, também buscam forças para voltar ao cabelo natural. Uma linda história que nos prova que nossa luta não é só por cabelo!

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Alcione Silva – 24 anos

Oi Ster, olá crespas e cacheadas aqui do Desventuras! Meu nome é Alcione, tenho 24 anos, sou de Cataguases (interior de Minas Gerais) e hoje eu vim aqui pra falar da minha transição capilar e das coisas que tenho descoberto ao longo dela.

Eu tinha o cabelo alisado desde cedo, mas lembro de quando minha mãe ainda penteava e fazia tranças enormes que eram motivo de riso na escola. Eu queria usar tiaras, como as outras meninas, andar de cabelo solto como as outras meninas. Eu achava mesmo o meu cabelo “ruim” porque eu queria ser aceita. Assim passei infância e adolescência.

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Continuei parte da vida adulta com a química, mas sem esticar tanto. No fundo eu já nutria um amor pelos cachos e só relaxava, mantendo um corte bem curtinho e uma franja. Não sabia nada sobre cabelo crespo, sobre o meu cabelo original (digamos assim) mas não tinha coragem de mudar porque ao meu ver, parar com a química era “ficar menos bonita”.
Pois é: nessas fases de alisamento e relaxamento, se você me perguntasse se eu me achava bonita eu diria um ” NÃO ” sem pensar duas vezes. Engraçado como a gente não é feliz quando não é a gente mesma…

Pois bem, a paixão por cachos acabou crescendo tanto que eu decidi pagar por eles numa permanente afro. Mal sabia eu que ali começava a minha transição… Dezembro de 2014, lá fui eu. A cabeleireira errou no permanente, meus fios foram quebrando depois e eu não tive outra opção além de cortar bem curtinho. Fiz meu primeiro BC, também sem saber.
Como meu cabelo ficou muito sensível, decidi por mim mesma ficar sem química durante 1 ano. A cada dia desses 365, fui descobrindo tanto sobre os cuidados com o meu cabelo original, quanto sobre o orgulho de ter um cabelo crespo assim. Descobri receitas caseiras, descobri meu tipo de cacho, descobri que não tem nada duro ou ruim aqui. Descobri que eu sou linda.

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Já escutei muita coisa ruim, já disseram que não sou gente com esse cabelo, que pareço uma escrava, que poderia vender meu smartphone pra fazer uma definitiva, até mesmo que “ninguém nunca iria me querer com este cabelo” (jura?!?… que pena).

Já são 16 meses em transição, sem química! Mas meu cabelo está crescendo novamente. Disse no começo do texto que eu tenho minhas desventuras, lembra? Então… a maior delas (até hoje) é o racismo.
Já escutei muita coisa ruim, já disseram que não sou gente com esse cabelo, que pareço uma escrava, que poderia vender meu smartphone pra fazer uma definitiva, até mesmo que “ninguém nunca iria me querer com este cabelo” (jura?!?… que pena).
Mas nesse último ponto eu fiquei bem machucada. Fiquei me sentindo tão pouco atraente que raspei meu cabelo na máquina 02. Naquela cadeira eu não sabia se queria continuar crespa. Mas com o passar dos dias eu percebi que aquele gesto foi, finalmente, minha passagem de menina aprendiz para mulher EMPODERADA. Realmente libertador!

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Já se passaram quatro meses desde que fiquei lindamente carequinha. Meu crespo veio novamente. E junto com ele os lenços, tiaras e turbantes. E sabem de uma coisa? Eu amo o fato do meu cabelo ser livre e imprevisível. Amo fazer rolinhos e trancinhas com ele de brincadeira. Amo receber cafuné, fazer massagem na raiz e contemplar cada milímetro que nasce. Amo porque é meu, amo porque vem de mim. Amo porque sou eu.

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Fiquei me sentindo tão pouco atraente que raspei meu cabelo na máquina 02. Naquela cadeira eu não sabia se queria continuar crespa. Mas com o passar dos dias eu percebi que aquele gesto foi, finalmente, minha passagem de menina aprendiz para mulher EMPODERADA. Realmente libertador!

 

 Quer contar a sua história? Mande um email para contato@desventurasdeumacacheada.com.br, contando como foi passar pela transição capilar, junto com 3 fotos do antes e depois (com boa resolução e sem edição).

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Ster Nascimento, 22 anos. Gosto do meu cabelo cacheado, do meu descontrole sem pé nem cabeça, do meu 8 ou 80 e da minha zarreza perceptível. As vezes sou um amor de pessoa.

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